Nos conhecemos no segundo semestre de 2016, no cursinho pré-vestibular para medicina.
(Ana Júlia)
Eu sempre fui de falar com todo mundo… mas era péssima com nomes. Nunca fazia aquela apresentação básica: “Oi, eu sou a Ana Júlia, qual o seu nome?”. Conversava com o Matheus quase todos os dias — e simplesmente não sabia como ele se chamava.
Ele sempre sentava no canto da sala, perto do ar-condicionado. E eu vivia pedindo para ele regular a “pá do ar” conforme a minha vontade.
Descobri o nome dele de um jeito bem improvável. Eu tinha criado um grupo da turma no WhatsApp e, alguns dias depois, recebi uma mensagem no Facebook:
“Oi, você que é a administradora do grupo? Pode me adicionar?”
Foi assim que finalmente descobri que ele se chamava Matheus.
Eu sempre tive o hábito de observar as mãos das pessoas para evitar constrangimentos… tinha pavor de perguntar sobre namoro e descobrir que já tinham terminado. Mas, por obra do destino (ou melhor, cuidado de Deus), antes mesmo de perceber, saiu da minha boca:
“Uai, cadê sua aliança? Está tudo bem? Você quer conversar?”
E foi ali que nossa amizade realmente começou.
Naquele dia fugimos da aula para distrair a mente dele. Fomos comer pastel, jogar sinuca… e, depois disso, nunca mais deixamos de nos falar.
Nossa amizade só crescia. Conversávamos todos os dias. Ele foi se tornando, sem que eu percebesse, a minha pessoa favorita no mundo.
Até que, um dia, debaixo do pé de manga da casa da minha avó — o único lugar onde eu conseguia internet — enquanto conversava com o Matheus, me perguntei:
“Por que eu sinto tanto ciúme dele?”
Ignorei o pensamento.
Mas o tempo passou, a cumplicidade aumentou… até que um dia eu o abracei e senti meu coração disparar. Naquele instante eu tive certeza: eu estava apaixonada. E estava com muito medo. Medo de confundir as coisas. Medo de perder meu melhor amigo.
Até que, em 21 de fevereiro de 2017, no parque de Águas Claras, ele me surpreendeu com um beijo.
E foi naquele exato momento que eu tive a certeza de que era a mulher mais sortuda e feliz do mundo.
Desde então, colecionamos histórias, aprendizados, desafios, risadas e sonhos compartilhados.
É impossível resumir o que foram esses nove anos incríveis ao lado do amor da minha vida.
(Matheus)
Nos conhecemos de maneira inusitada: eu, curiosamente, era o aluno quieto que sentava no canto da sala, observando tudo e, com ela, não seria diferente. A menina tagarela que tirava um sanduíche de atum da bolsa no auge do segundo horário (e eu me perguntava: será que já digeriu o almoço, pelo menos? Kk).
Ademais, aquela mesma menina do sanduíche de sobremesa era, por muitas vezes, a voz que me trazia o pedido mais inusitado (e repetitivo): "Oi, desculpa, ce pode levantar a pá do ar-condicionado? É que ta frio." O detalhe é que ela me pediria para abaixar a mesma pá nos próximos 25 minutos, pois ja estava com calor.
E nisso se limitava a nossa interação, pelo menos até a segunda semana de aula, quando a "menina do sanduíche de atum" se tornou a "menina do PiViTi=PoVoTo". Durante uma aula de química, na qual se corrigia uma das listas de questões, aquela menina que eu ainda não conhecia pelo nome trouxe uma alternativa não convencional para encontrarmos uma variável e resolvermos um probleminha de estequiometria. Naquele momento exclamei mentalmente: "Olha! Ela não é só um rostinho bonito!". Era o que faltava pra que a missão de mover as pás do ar-condicionado deixasse de ser um incômodo... kk
Após muitos bons momentos (e vergonhas) compartilhados, nossa relação foi evoluindo. De completos desconhecidos, passamos a ser colegas de turma. De colegas, fomos à amigos. A distância só nos aproximava e, de amigos, passamos a ser "melhores amigos". Ate que me vi apaixonado pela minha melhor amiga, que ja havia se tornado a minha pessoa favorita no mundo. Eu soube que precisava continuar o caminho que trilhamos até então, e ser mais que um amigo.
E hoje, quase 10 anos depois, aqui estamos. Nos preparando para sermos um só, e assim, dar início ao nosso sonho de sermos uma familia!
Muitas coisas vivemos no caminho; estivemos lado a lado, nos melhores e também nos piores momentos; compartilhamos sonhos, realizações, sorrisos e batalhas; e cada capítulo vivido só me dava mais certeza de que sentar no cantinho daquela sala (turma "Certeza" vespertino), embaixo do ar-condicionado, foi o maior cuidado de Deus para comigo.